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28 de outubro de 2026

GIULIANO GEMMA E ALGUNS DE SEUS FILMES



Giuliano Gemma (Roma, 2 de setembrode 1938 — Civitavecchia, 1 de outubro de 2013) foi um ator, apresentador de TV, escultor e atleta italiano.

Inicialmente Gemma trabalhou como dublê, mas o diretor Duccio Tessari ofereceu a ele um papel no filme Arrivano i titani, em 1962. A partir de então, construiu extensa filmografia.
Gemma posteriormente tornou-se um ator de filmes western spaghetti, alcançando grande sucesso com herói de filmes como Una pistola per Ringo, O Dólar Furado e I giorni dell'ira. Quando atuava nos filmes ainda era atleta, e chamava a atenção pela sua elasticidade nas cenas. Para atuar em filmes dos EUA teve que adotar o codinome Montgomery Wood.

Giuliano Gemma também trabalhou na televisão italiana e como escultor.
Durante as filmagens do clássico Una pistola per Ringo, Giuliano conheceu sua futura esposa, Natália Roberti, com quem se casou pouco depois e teve duas filhas: Giuliana e Vera. Ambos foram casados até 1995, quando Natália veio a falecer. Depois casou-se com Baba Richerme. Sua filha, Vera Gemma, também é atriz.
Em 1 de outubro de 2013, Giuliano Gemma feriu-se gravemente em um acidente de carro perto de Cerveteri. Morreu logo após chegar ao hospital em Civitavecchia. Dois outros passageiros também se feriram no acidente.

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A HISTÓRIA DA CINDERELA DA DISNEY



Se você cresceu ouvindo "Bibidi Bobidi Bu", precisa conhecer a verdadeira história por trás do desenho mais importante da Walt Disney. Hoje vamos contar como Cinderela de 1950 salvou o estúdio da falência e virou o clássico que a gente ama até hoje.

*A HISTÓRIA DO DESENHO*

Depois da morte do pai, Cinderela fica sozinha com a madrasta Lady Tremaine e as duas irmãs, Anastácia e Drizela. Ela é obrigada a dormir no sótão frio, acorda antes do sol pra fazer todo o serviço da casa e ainda é humilhada todos os dias.

Mesmo assim, ela nunca perde a doçura. Seus únicos amigos são os ratinhos Jaq, Tatá e seus companheiros, e o cachorro Bruno.

Tudo muda na noite do grande Baile Real. O Rei quer que o Príncipe arranje uma esposa, e convida todas as moças do reino. Cinderela faz um vestido lindo com a ajuda dos ratinhos, mas a madrasta e as irmãs rasgam o vestido na hora.

É aí que a mágica acontece. Chorando no jardim, surge sua Fada Madrinha com a frase mais famosa do cinema: "Bibidi Bobidi Bu". Ela transforma uma abóbora em uma linda carruagem dourada, os ratinhos em cavalos brancos, o cavalo Major em cocheiro e o cachorro Bruno em lacaio. E o vestido rasgado vira aquele vestido azul de princesa com os sapatinhos de cristal. Mas com uma condição: tudo acaba à meia-noite.

No baile, o Príncipe se apaixona na hora. Mas à meia-noite, Cinderela foge correndo e perde um sapatinho na escada do castelo. No dia seguinte, o Grão-Duque sai pelo reino inteiro provando o sapatinho.

*COMO COMEÇOU ESSE DESENHO E POR QUE ELE SALVOU A DISNEY?*


Nos anos 1940, depois da Segunda Guerra Mundial, a Disney estava quase falida. Tinha quase 4 milhões de dólares em dívidas. Os filmes Pinoquio, Fantasia e Bambi não deram lucro por causa da guerra. Walt Disney não tinha dinheiro nem pra manter o estúdio.

Walt fez uma aposta final: ou Cinderela dava certo, ou o estúdio fechava as portas. Ele trabalhou 6 anos no filme, de 1944 a 1950. Foi o desenho mais caprichado que ele já tinha feito até então.

Deu tão certo que Cinderela de 1950 foi a maior bilheteria do ano. Pagou todas as dívidas e ainda sobrou lucro. Foi com o dinheiro de Cinderela que Walt conseguiu realizar o sonho de construir a Disneylândia na Califórnia. Se não fosse Cinderela, não existiria Mickey, não existiria parque, não existiria nada. Por isso ela é tão importante.

*3 CURIOSIDADES SOBRE A CARRUAGEM E O SAPATINHO QUE POUCOS SABEM:*

*1. A carruagem de abóbora quase foi diferente.* Nos primeiros rascunhos, Walt queria que a carruagem fosse branca e simples. Foi uma desenhista chamada Mary Blair que sugeriu a carruagem dourada, toda enfeitada, pra parecer mais mágica. E deu certo, virou o símbolo do filme.

*2. O sapatinho de cristal foi um erro de tradução.* No conto original francês de 1697 de Charles Perrault, o sapato era de pele de esquilo, que em francês antigo é "vair". Com o tempo, confundiram com "verre" que é vidro. A Disney amou o erro e deixou de cristal, porque brilhava mais bonito no desenho.

*3. A cena da meia-noite foi a mais difícil de fazer.* Pra fazer a cena do vestido virando trapos e da carruagem virando abóbora de novo, a Disney usou 14 desenhistas diferentes só pra essa cena de 30 segundos. Walt queria que a gente sentisse o desespero da Cinderela perdendo tudo.

*COMENTÁRIO FINAL 

Cinderela de 1950 não é só um desenho de princesa. É uma história sobre esperança. Sobre aquela menina que mesmo sendo humilhada, dormindo no sótão, nunca deixou de acreditar que a bondade vence.

E no fim, venceu. Venceu a madrasta, venceu a tristeza e salvou até a própria Disney.

Vale a pena rever hoje com a família. 














A HISTÓRIA DE PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES



*PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES - A CRÔNICA DE UMA CANÇÃO QUE O BRASIL NÃO DEIXOU MORRER*

O Maracanãzinho está lotado. É noite de 29 de setembro de 1968. No palco do III Festival Internacional da Canção, da TV Globo, um homem magro, de óculos grossos, violão no peito e voz de quem não pede licença, começa a cantar. Ele se chama Geraldo Vandré. Paraibano de João Pessoa, 33 anos. A canção se chama "Caminhando", mas o povo já a chama de "Pra não dizer que não falei das flores".

> _Caminhando e cantando e seguindo a canção_
> _Somos todos iguais braços dados ou não_
> _Nas escolas, nas ruas, campos, construções_
> _Caminhando e cantando e seguindo a canção_

Não era uma letra de festival. Era um manifesto. Cada verso era um soco na mesa da ditadura que havia se instalado quatro anos antes, em 1964.

> _Vem, vamos embora, que esperar não é saber_
> _Quem sabe faz a hora, não espera acontecer_

A plateia entendeu antes dos jurados. Levantou. Cantou junto. Virou coro. Virou hino. Virou ameaça.

Naquela noite, "Caminhando" perdeu. O júri, pressionado, deu o primeiro lugar para "Sabiá", de Chico Buarque e Tom Jobim. Quando anunciaram, o Maracanãzinho inteiro vaiou. Vaiou tanto que Chico, no palco, fez gesto para o público parar e respeitar. Vandré teve que ser escoltado.

A partir do dia seguinte, a máquina da repressão mostrou a que veio. A canção foi censurada e proibida de tocar no rádio. Em dezembro, veio o AI-5, o Ato Institucional número 5, o mais duro do regime. A censura prévia, a prisão, a tortura, o exílio viraram rotina.

Vandré foi marcado. Perseguido pelo DOI-CODI, ele teve que fugir. Primeiro para o interior, depois para o Chile, para a Argélia, para a Alemanha, para a França. Foram quase cinco anos de exílio. Longe do seu violão, longe do seu país. Quando voltou, em 1973, já não era o mesmo. Calado, recluso, nunca mais fez o mesmo sucesso. O regime conseguiu o que queria: silenciou o autor, mas não conseguiu silenciar a canção. Ela continuou sendo cantada baixinho, nos porões das universidades, nas reuniões sindicais, nos bares. Virou oração.

E Vandré não foi o único.

Enquanto ele estava fora, outro cantor pagava um preço parecido, talvez até mais cruel. Seu nome era Taiguara. Taiguara Chalar da Silva. Um dos maiores compositores da sua geração, voz de veludo, sucesso absoluto com "Hoje", "Universo no Teu Corpo", "Viagem".

Taiguara também ousou. Em 1973, gravou o disco "Let The Children Hear Music" no exterior. Em 1975, lançou "Imyra, Tayra, Ipy - Taiguara", um disco censurado na íntegra. Todas as 11 músicas foram vetadas. Seu nome foi colocado na lista negra. Não podia tocar no rádio, não podia aparecer na TV. O telefone parou de tocar. Os contratos foram cancelados. Foi exilado em Londres. Quando voltou, adoeceu. Morreu em 1996, aos 50 anos, de câncer de bexiga, mas quem o conheceu jura que ele morreu foi de tristeza, de asfixia artística, de um país que o proibiu de cantar. Taiguara foi outro morto pela ditadura, mesmo que a certidão de óbito diga outra coisa.

A canção de Vandré sobreviveu a tudo isso. Ficou guardada, como uma brasa sob as cinzas, por 15 anos.

Até que em 1983, a brasa virou incêndio.

O Brasil não aguentava mais 19 anos de governo militar. A crise econômica, a inflação de 200%, o desemprego. E um deputado, Dante de Oliveira, propôs uma emenda para que o próximo presidente fosse escolhido pelo voto direto do povo. Nasceu o movimento das *Diretas Já*.

Foi a maior mobilização popular da história do Brasil. Nunca antes, nem depois, tanta gente foi para a rua por um mesmo motivo. Em abril de 1984, 1 milhão e meio de pessoas na Praça da Sé, em São Paulo. No Rio, outro milhão na Candelária. Não tinha partido. Tinha gente. Tinha família inteira com faixa na mão.

E o que tocava em todos os palanques, em todas as passeatas, no carro de som? A mesma canção de 1968.

_Vem, vamos embora, que esperar não é saber_
_Quem sabe faz a hora, não espera acontecer_

A canção que tinha sido proibida em 68 virou trilha sonora de 84. O sonho não tinha acabado. Ele só tinha adormecido.

A emenda das Diretas perdeu no Congresso por 22 votos. Foi uma frustração nacional. Mas o movimento era grande demais para morrer. A saída foi uma eleição indireta no Colégio Eleitoral.

E foi aí que apareceu ele.

Um mineiro de São João del Rei, de 75 anos, conciliador, de voz mansa e bigode branco. Tancredo Neves. Ele não gritava. Ele não xingava. Ele era a esperança em forma de gente. O avô que todo mundo queria ter. O homem que ia costurar um país quebrado.

Quando Tancredo aparecia na TV, a música tocava. Quando ele discursava, o povo cantava "Pra não dizer que não falei das flores". Ele era o novo dia que Vandré tinha cantado 16 anos antes. Ele seria o primeiro presidente civil depois de 21 anos.

Ele foi eleito em 15 de janeiro de 1985. O Brasil chorou. Houve festa nas ruas. Fogos. Abraços. A ditadura tinha acabado.

Faltavam seis dias para a posse. Era 14 de março. Tancredo Neves foi internado no Hospital de Base, em Brasília, com fortes dores abdominais. Diverticulite. O país parou em frente à TV. Foram 38 dias de agonia, de boletins médicos, de correntes de oração, de velas acesas.

No dia 21 de abril de 1985, Dia de Tiradentes, às 22h23, o porta-voz anunciou: Tancredo Neves morreu.

O Brasil que tinha acabado de nascer de novo, morreu junto por uma noite. O silêncio foi ensurdecedor. As ruas que tinham sido de festa das Diretas, agora eram de velório. Milhões de pessoas acompanharam o cortejo de Brasília até São João del Rei.

E no rádio, de novo, a mesma canção. Mas agora não era de luta. Era de luto.

_Há soldados armados, amados ou não_
_Quase todos perdidos de armas na mão_
_Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição_
_De morrer pela pátria e viver sem razão_

Geraldo Vandré não morreu no exílio. Ele está vivo, com 90 anos, recluso em São Paulo. Mas ele morreu um pouco a cada dia daquele exílio. Taiguara morreu de verdade, calado pela censura.

Tancredo morreu sem tomar posse.

Mas a canção não morreu. Porque ela não é de um homem. Ela é de um povo que aprendeu que, quando a hora chega, não adianta esperar acontecer.

VÍDEO E LETRA





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A HISTÓRIA DAS SEREIAS




AS SEREIAS - O CANTO QUE ATRAVESSOU 3 MIL ANOS DE HISTÓRIA


Dizem que todo marinheiro já ouviu uma. Dizem que todo homem apaixonado já viu uma. A sereia nunca existiu e, por isso mesmo, nunca deixou de existir. Ela mora exatamente onde a gente não alcança: entre a terra e o mar, entre o desejo e o medo.

Essa é a história completa dela.

*1. O BERÇO: A GRÉCIA. E ELAS NÃO TINHAM RABO DE PEIXE*





A primeira sereia da história não nadava. Ela voava.

Na Odisseia, escrita por Homero há quase 3 mil anos, as Sereias eram três irmãs - Partênope, Leucósia e Lígia - metade mulher, metade pássaro. Não viviam na água. Viviam num rochedo no meio do mar Mediterrâneo.

O poder delas não era a beleza. Era a voz. Elas cantavam e prometiam ao marinheiro aquilo que ele mais queria ouvir: todos os segredos do mundo, o futuro, o passado. O homem pulava do barco para ouvir melhor e morria afogado. É daí que vem a expressão que usamos até hoje: "canto da sereia".

Ulisses, o herói grego, foi o único que ouviu e sobreviveu. Mandou os marinheiros taparem os ouvidos com cera e se amarrou no mastro do navio. Sofreu, gritou, pediu para soltarem, mas ninguém soltou. Ele ouviu o canto proibido e voltou para contar.

O rabo de peixe só apareceu 1.500 anos depois, na Idade Média, quando os padres juntaram a lenda grega das mulheres-pássaro com os Tritões romanos e com as deusas dos rios.

*2. A MÃE DE TODAS: MAMI WATA, A SEREIA AFRICANA*




Se a sereia grega é a mais antiga, a africana é a mais poderosa.

Na África Ocidental, desde o século XV, se cultua Mami Wata - Mãe D'Água. Ela é uma mulher negra lindíssima, de cabelos longos e cacheados, com rabo de peixe enorme, toda enfeitada de joias, espelhos e conchas. Mora nos rios, nas cachoeiras e no mar.

Ela não mata. Ela escolhe. Leva o homem que ela gosta para viver com ela no fundo, onde ele fica rico e sábio. Mas se ele a trair, perde tudo.

Quando os africanos foram trazidos escravizados para o Brasil, trouxeram Mami Wata na memória. Aqui, ela encontrou o rio Amazonas e se misturou com outra lenda que já existia aqui.

*3. A NOSSA SEREIA: IARA, A LOIRA DO RIO QUE VIROU MORENA*




A Iara é brasileira. Nasceu aqui.

Antes de Portugal chegar, os índios Tupi já contavam a história do Ipupiara - o homem-peixe que vivia nos rios e afogava os pescadores. Era um monstro, não era bonito.

Quando o português contou a lenda da sereia europeia e o africano contou a de Mami Wata, as três histórias se abraçaram e nasceu a Iara.

No começo, os primeiros cronistas diziam que a Iara era loira, de olhos verdes - cópia da sereia europeia. Foi Monteiro Lobato quem mudou tudo.

Em 1917, no livro *"O Saci"* e depois em *"Geografia de Dona Benta"*, Monteiro Lobato disse: "Não! Nossa sereia não é loira. Nossa sereia é morena, de cabelos pretos, olhos castanhos, cor de gente brasileira. Ela mora no rio Tapajós". 

Lobato nacionalizou a sereia. Tirou ela do mar frio da Europa e colocou no rio quente da Amazônia. Deu a ela o boto como companheiro. A partir dele, a Iara que conhecemos hoje - morena, de cabelos longos que penteia com pente de ouro, cantando na beira do rio ao entardecer para levar o pescador - ficou definitiva.

Câmara Cascudo, nosso maior pesquisador de folclore, confirmou: a Iara é a sereia mais romântica do mundo, porque ela não mata por fome. Ela se apaixona.

*4. 30 SEREIAS PELO MUNDO - UM ATLAS DO ENCANTAMENTO*




Existem mais de 30 tipos catalogados. Cada povo criou a sua:

*As 10 mais famosas:*

*1.¹ Ningyo (Japão):* Tem rosto de macaco, corpo de peixe com escamas douradas. Quem comer sua carne vive 800 anos. Mas quem a pesca tem uma tempestade terrível. É a sereia da imortalidade.

*2. Selkie (Escócia e Irlanda):* Não tem rabo de peixe. É uma foca que tira a pele na lua cheia e vira mulher linda. Se um homem roubar sua pele, ela tem que ficar casada com ele. Mas vive chorando com saudade do mar.

*3. Merrow (Irlanda):* Usa um gorro mágico chamado "cohuleen druith". Sem ele, não pode voltar para o fundo. Os homens roubam o gorro para casar com ela.

*4. Rusalka (Rússia):* Sereia de rio, de cabelos verdes. São almas de moças que morreram afogadas por amor. No mês de junho, saem para dançar na floresta e levam os homens.

*5. Iemanjá (Brasil):* Não é sereia, é Orixá. Mas no sincretismo virou Rainha do Mar. Muitos confundem com Iara. Iara é do rio, Iemanjá é do mar.

*6. La Sirena (México):* Canta nos lagos. Dizem que foi uma moça que desobedeceu a mãe e foi castigada.

*7. Mami Wata (África):* Já falamos. A mãe de todas as sereias negras.

*8. Sirène (França):* Na Bretanha, elas avisam naufrágios com seu choro.

*9. Havfrue (Dinamarca):* Foi a que inspirou Hans Christian Andersen a escrever A Pequena Sereia, em 1837.

*10. Iara (Brasil):* A nossa.

*Outras raras:* Ceasg (sereia com rabo de salmão), Sirena Chilota (do Chile, com cabelos dourados), Aicaya (do Caribe, vingativa), Finfolk (da Noruega, que rapta noivos).

*5. AS SEREIAS QUE FORAM PARA O CINEMA*




O homem tanto contou a lenda que a levou para a tela.

O filme mais antigo é de 1904, de Georges Méliès. Mas as que marcaram:

*A Pequena Sereia (1989 - Disney):* Ariel, ruiva, que troca a voz por pernas. É a versão mais doce da história trágica de Andersen, onde na original a sereia vira espuma do mar.

*Splash - Uma Sereia em Minha Vida (1984):* Com Daryl Hannah. A sereia loira que se apaixona em Nova York.

*A Forma da Água (2017):* Ganhou o Oscar. Não chama de sereia, mas é um homem-peixe. A prova de que ainda nos apaixonamos por seres da água.

*Piratas do Caribe 4 (2011):* Mostrou as sereias mais fiéis à lenda grega: lindas, cantando, e de repente viram monstros que afogam marinheiros.

*6. POR QUE A GENTE AINDA ACREDITA?*

Cristóvão Colombo jurou que viu 3 sereias perto do Haiti em 1493. Escreveu no diário: "não eram tão bonitas como pintam". Hoje sabemos que eram peixes-boi.

Nenhum marinheiro inglês deixava mulher entrar no barco até 1950. Dizia que o barco ficava com ciúme e as sereias se vingavam.

No fundo, a sereia nunca foi sobre peixe. Foi sobre saudade.

É o que Vicente Celestino cantava: "Saudade é desejo de estar perto de quem longe está de nós". A sereia é exatamente isso. É o amor impossível entre dois mundos que nunca podem ficar juntos - o homem da terra e a mulher do mar. 

Por isso ela canta. E por isso a gente ouve.

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CORDEL DA SAUDADE




*CORDEL DA SAUDADE - A PALAVRA QUE DOI E CURA*

Eu vou contar pra vocês
Num verso bem cantado
O que é essa tal saudade
Que deixa o peito apertado
Palavra pequena e doce
Mas de espinho perfumado.

Saudade é flor com espinho
Cheirando a dor e amor
É breve na escrita, eu digo,
Mas longa no dissabor
Quem escreve não traduz
O tamanho do seu ardor.

É querer estar bem perto
De quem está longe demais
É um "ai" que sai do peito
Sem saber pra onde vai
Se é suspiro, se é voz
Que o vento leva e traz.

É sorriso com tristeza
É choro de alegria
É a dúvida que maltrata
É a esperança que alivia
É a conta que não fecha
Na matemática do dia.

O poeta  já nos ensinou
Num verso de bem-querer:
Saudade é calculada,
Pode crer pra você ver,
Distância multiplicada
Pelo tanto de querer.

Saudade enche os olhos
De um brilho de ardor
É uma dor que é remédio
E remédio que é dor
Tédio que vira tristeza
Tristeza que vira amor.

É ânsia, é suspiro fundo,
Vontade de rever
Quem lá de longe nos olha
Com olho de bem-querer
E a gente conta os dias
Pra esse dia acontecer.

Palavrinha tão pequena
Mas que diz tudo de uma vez
Carrega o mundo inteiro
Numa sílaba talvez
Por ela valeu a pena
Inventar o português.

Se saudade é portuguesa,
É brasileira também,
Mora no peito do povo
De todo que quer bem
Quem nunca sentiu saudade
Nunca amou ninguém.

Saudade de mãe na janela
Esperando na calçada
De pai contando história
Na rede balançada
Do tempo de menino
De chinelo e de nada.

Saudade do interior,
Do cheiro de chão molhado
Do café no fogão a lenha
Do pão de milho assado
Do aboio do vaqueiro
No sertão bem acordado.

Saudade de um amor antigo
Que não soube ficar
De carta que não chegou
De trem que vi partir
Da promessa na estação
De um dia voltar a vir.

Saudade do que não viveu,
Do que podia ter sido
Do abraço que não deu
Do perdão que foi perdido
Do "eu te amo" engasgado
No peito arrependido.

Saudade dói de manhã
Quando o galo canta cedo
Dói de tarde no terreiro
Quando bate o arvoredo
E de noite é companheira
De quem dorme com medo.

Tem saudade que é bonita,
Que dá pra se guardar
Igual retrato na parede
Que a gente vive a olhar
Tem saudade que é faca
Que só serve pra cortar.

Tem saudade de quem foi
E mora lá no céu
De quem virou estrelinha
Num cantinho do véu
A gente olha pra cima
E conversa com o léu.

Saudade de Luiz Gonzaga
Cantando no radinho
De Vicente Celestino
Com aquele vozeirão
Cantando essa palavra
Que é do nosso sertão.

E por fim eu digo a todos
Que estão me escutando:
Saudade não mata, não,
Só vive ensinando
Que quem sente saudade
É porque tá amando.



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